O Retorno do Desejo Proibido
Forte estrondo na região de Pinheiros. Muitos graus na escala Richster, e poucos no Celsius. Acontecia ali, no Instituto Tomie Ohtake, a abertura da primeira grande individual de Louise Bourgeois no país, impávido nome sob o timbre da arte internacional, que constrói através de desenhos, pinturas, objetos, instalações e esculturas - 112, ao todo, mas quem está contando? - um panorama incontestável do legado psicanalítico de sua obra, que compartilha traumas, desejos do inconsciente e luta pela cura.
Intrépida conhecida dos paulistanos - é dela aquela aranha gigante no Parque do Ibirapuera - a artista parisiense foi discípula de fenômenos superlativos do cenário criativo dos anos 50, Le Corbusier, Fernand Léger (de quem desenvolveu sua verve para escultura), Joan Miró e Yves Tanguy.
O recorte da mostra Louise Bourgeois - O Retorno do Desejo Proibido também explora as anotações e textos da própria artista, e os caminhos sinuosos que ela percorria para decifrar seu estado psicológico em manifestação plástica. "A arte é garantia de sanidade", dizia Bourgeois, falecida em maio de 2010, em Nova York.
Desvenda-se através de suas obras um imaginário autobiográfico, fantasmas do pai, ecos da infância, a representação fálica, o fisiológico, a fauna do inconsciente e o ato de ser mãe, elementos que despertam o turbilhão histérico desta que foi uma das maiores expressões artísticas da atualidade.
Esta exposição fica em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 28 de Agosto, quando segue para o MAM, no Rio de Janeiro.













